Xeloda é o nome comercial para Capecitabina.
Ele é um quimioterápico oral utilizado para o tratamento de diversos cânceres incluindo o de mama e sua principal função é controlar a doença.
Porém, neste post eu abordarei o uso do Xeloda de forma preventiva.
Já que ele é receitado, geralmente, para pessoas que tiveram câncer de mama de subtipo triplo negativo com resposta parcial após quimioterapia.
E, como eu não encontrei muitos relatos sobre esse medicamento, resolvi passar um pouco da minha experiência ao longo desses 6 meses de tratamento.
Acima de tudo, é importante ter em mente que cada corpo reage de um jeito ao medicamento.
Algumas pacientes têm vários efeitos colaterais com o remédio outras não.
Portanto, o texto a seguir é sobre a minha experiência com o remédio.
Xeloda ou Capecitabina
Quando eu soube que faria quimioterapia oral logo após a cirurgia, já que na glândula mamária retirada sobrou 3,3mm de doença, eu, sinceramente, não consegui ficar triste.
Depois de 16 ciclos de quimioterapia intravenosa, eu comecei a soltar mais as minhas vontades.
Ou seja, não ficar deprimida porque o resultado não foi o que eu esperava.
É lógico que eu queria ter saído da cirurgia com a notícia de que a doença tinha sumido por completo.
Afinal, somente quem tomou a quimioterapia sabe dizer o quanto é desgastante para o corpo tomar esse medicamento.
E por mais “good vibes” que você seja, tem hora que você não dá conta.
Porém, os resultados dos exames pós quimios já indicavam que talvez o tumor ainda estivesse lá.
Eu usei a palavra “talvez”, porque a medicina não é exata, bem como os exames ultrassom, ressonância e mamografia.
Demorei um tempo para aceitar essa incerteza da medicina, mas se até a minha onco fala isso, por que eu não posso aceitar, não é mesmo?
Enfim, somente a biópsia realizada na cirurgia informaria se o que os exames de imagem mostravam era resquício da doença ou a cicatriz do tumor.
Portanto, quando a oncologista me falou que eu faria 8 ciclos de Xeloda, eu aceitei.
O câncer de mama de subtipo triplo negativo não existe, até o momento, um medicamento específico que evite a recidiva.
Logo, todo remédio para prevenção é válido.
Xeloda e o Câncer de Mama Triplo Negativo
O subtipo de câncer de mama triplo negativo é o mais frequente em mulheres jovens.
Segundo as pesquisas, representa 15% de todos os casos de câncer de mama no mundo.
Atualmente, há uma carência de opções terapêuticas para tratar diagnósticos de triplo negativo.
Por outro lado, esse subtipo de câncer de mama responde muito bem à quimioterapia tradicional.
O que é muito bom!
Para saber mais sobre o porquê a ciência ainda não tem um medicamento específico para o câncer de mama triplo negativo, basta clicar aqui.
Porém, como tudo está em movimento.
Um importante estudo de fase 3 recentemente publicado no Journal of Clinical Oncology.
Observou-se que a adição de capecitabina à terapia adjuvante com taxano mais antraciclina para câncer de mama triplo negativo estava associada a uma melhora na sobrevida livre de doença Para mais detalhes da pesquisa clique aqui.
Além desse resultado promissor com a capecitabina ou xeloda. Pesquisadores dos Estados Unidos informaram que obtiveram sucesso nos estágios iniciais de desenvolvimento de uma vacina contra um tipo específico de câncer de mama, o triplo negativo.
O objetivo da vacina desenvolvida em Harvard é fazer com que o medicamento tenha a efetividade da quimioterapia e da imunoterapia (que auxilia o próprio sistema imunológico do paciente a identificar e combater o câncer).
Parece um sonho, não é mesmo?
Tratar o tumor localmente com quimio sem ter todos aqueles efeitos colaterais que conhecemos bem é sensacional.
Eu acredito que daqui a alguns anos teremos um medicamento específico para o câncer de mama de subtipo triplo negativo.
Efeitos colaterais do Xeloda
Antes de mais nada, é importante ressaltar que não é porque a quimioterapia é oral que ela é menos eficaz, por outro lado, os efeitos colaterais da quimio oral são bem mais leves comparados à quimio tradicional.
Bom, pelo menos para mim aconteceu dessa forma.
Os efeitos colaterais que eu mais senti tomando 7 comprimidos diários, 4 de manhã e 3 a noite, totalizando 2.000mg/dia por 14 dias e 7 dias de pausa foram:
- Fadiga
- Constipação intestinal
- Palma das mãos e pés sensíveis, ressecadas, vermelhas. No sexto ciclo, eu já não tinha mais digital nos dedos.
Alguns pacientes sentem as mãos tão sensíveis que chegam a criar ferimentos, porém esse não foi o meu caso.
É importante ressaltar que cada corpo reage de um jeito.
Algumas pessoas têm uma péssima experiência com o quimioterápico, outras não.
Independente dos efeitos, é fundamental ter em mente que tudo passa.
Além disso, como tudo que você foca cresce.
Veja a quimioterapia, seja ela vermelha, branca ou até mesmo o xeloda como uma benção, pois é ela que te proporciona a cura.
Dessa forma, o sentimento de gratidão estará mais presente na sua vida.
E todo o tratamento será vivenciado com mais leveza, apesar dos efeitos colaterais dos quimioterápicos..
O tratamento terminou e agora?
Em 27 de novembro de 2021 foi o último dia que tomei o Xeloda.
Eu comemorei muito!
Não só porque eu estava terminando a quimio oral, mas, também, eu estava finalizando todo o tratamento.
O tratamento com o Xeloda durou 6 meses, totalizando 8 ciclos.
Contando a quimio tradicional, oral e mais as pausas necessárias.
Eu fiquei 13 meses à base de quimioterápicos.
Algumas pessoas acham muito tempo.
Ao meu ver eu saí no lucro, pois eu não fiz radioterapia em razão dos linfonodos da axila não terem sido afetados.
Agora, com o fim do tratamento, só me resta viver a nova vida que se apresenta após o câncer de mama.
(Foto vida)
Uma vida mais consciente dos meus pensamentos, emoções e ações.
Vivendo o hoje, focando no presente.
Evitando projeções baseadas no medo.
E, acima de tudo, agradecendo pela segunda chance que me foi dada.
Somente assim o fantasma da recidiva não me dominará, quando eu fizer os exames de rastreamento nos próximos 5 anos.
No final das contas a realidade é uma só: o presente.
Você até tenta planejar o seu futuro, o que é muito bom!
Já que isso dá uma sensação de sentido da vida.
Contudo, você não sabe o que vai te acontecer, por mais que você queira, você não sabe.
É por esse motivo que quando uma pessoa desencarna de uma hora para outra é bem mais doloroso comparado ao falecimento de uma pessoa que já estava doente.
Ou quando você abre o resultado do exame e está escrito carcinoma em caixa alta, mas até dois dias atrás você estava fazendo exercícios se sentindo super saudável.
Eu vivenciei essas duas situações em menos de um ano.
Portanto, eu posso garantir que a dor da falta de controle sobre a vida é desconcertante.
Talvez, esse seja o maior desafio desta dimensão: confiar que tudo vem para o bem, nada é por acaso.
Na visão espiritualista tudo que acontece é para a nossa evolução espiritual.
A Terra é uma passagem, não é o destino final.